terça-feira, 20 de setembro de 2016

O bichinho de viajar


A Filipa Ferreira Já fez connosco o programa AuPair e depois desse ano fantástico, nunca mais parou… atualmente ela tem uma associação “Mundo inseparável” com programas de intercâmbio e voluntariado.
Não deixes de ler a crónica da Filipa no Blog Oficial do "Gap Year Portugal" sobre como surgiu o “bichinho” de viajar e o quanto é fundamental para te fazer crescer e superar desafios!





quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Curso de Inglês em casa do professor (Home Tuition)

O Hélder Gonçalves fez um Curso de Inglês em casa do professor (Home Tuition) em Londres. Esteve 4 semanas a estudar e alojado em casa do professor e  da sua família.   Veio  bastante satisfeito com o curso e a estadia. Deixou-nos algumas palavras:


“…correu tudo muito bem. O curso foi muito interessante e o professor proporcionou-me bastantes atividades além do período letivo acordado.

Fizemos visitas frequentes a locais que eu tinha selecionado para visitar em Londres, em especial museus. Estas visitas ocorreram nas tardes dos dias de semana e durante os fins-de-semana em que o professor e a esposa me acompanhavam nas visitas. Além de Londres visitámos a zona de vinhas de Dorking e a cidade de Brighton.

Gostava que apresentassem em meu nome aos responsáveis do curso o meu louvor pelo profissionalismo do professor e a forma com que ele e a família me fizeram sentir em casa.”



No programa Inglês em Casa do Professor (Home Tuition), é possível escolher o professor com que se quer ter aulas de acordo com uma lista de perfis e cvs consultados previamente.

Para além de Londres, temos  professores em todas as partes do Reino Unido e da Irlanda, como em Oxford, Cambridge, Brighton, Escócia e Dublin.

Os nossos cursos em Casa do professor (Home Tuition) oferecem cursos intensivos individuais e ou em pequenos grupos de 2 ou 3. É uma oportunidade única de viver e aprender a língua em casa de um professor profissional, beneficiando de aulas de inglês adaptadas às suas necessidades. As aulas são dadas num ambiente confortável e descontraído. Se pretender fazer um progresso rápido e começar a dominar o Inglês, este é o programa ideal!

Clicar aqui para mais detalhas do programa Home Tuition no site da MultiWay.

Projeto Social em Cabo Verde com o patrocínio da MultiWay (Continuação)

Estamos a contactar novamente para dar mais algumas informações relativamente ao trabalho que estamos a desenvolver aqui, na Ilha Brava.

            Acabámos há duas semanas atrás o trabalho com as crianças, o qual teve um balanço bastante positivo. Das crianças com quem trabalhámos, selecionámos algumas através da sua pontualidade, assiduidade, empenho, vontade de aprender e participar nas atividades e tolerância às diferenças. 

Hoje foi o 1º dia da 3ª semana de trabalho com os idosos e temos notado, no decorrer destas duas semanas que a presença das crianças tem sido fundamental para incentivar os mais velhos a participar nas atividades desenvolvidas. Como já referimos anteriormente, os idosos com quem trabalhamos são maioritariamente deficientes físicos (e/ou mentais) e como tal há que ter cuidados especiais (daí termos trabalhado primeiro com as crianças, também para as preparar) e exercícios mais específicos, para que todos possam acompanhar. Como decidimos escolher apenas crianças mais velhas, alguns exercícios tornam-se um pouco básicos e fáceis demais para elas, visto que elas já levam quatro semanas de trabalho a mais. No entanto, as mesmas têm sido bastante acessíveis e ajudam os idosos e deficientes naquilo que conseguem. 

Os exercícios artísticos que temos desenvolvido nesta fase de trabalho são ligeiramente diferentes. Enquanto na 1ª fase tínhamos mais o objetivo de despertar nas crianças o interesse pelas artes, de modo que elas próprias à medida que vão crescendo se interessem e promovam as artes numa ilha onde as mesmas não florescem, nesta 2ª fase, devido à natureza dos problemas que os idosos/deficientes têm, percebemos que fazia mais sentido "utilizar" as artes para ajudar estas pessoas a ser mais independentes e sensíveis aos estímulos do dia-a-dia.
            
Também nos temos deslocado a várias localidades mais remotas para desenvolver os Laboratórios Creativ com crianças, os quais têm sido um sucesso. Um sítio onde as atividades correram lindamente foi em Fajã d'Água. Tanto mais que decidimos passar o fim-de-semana nessa localidade e fizemos uma sessão de cinema para a pequena comunidade de cerca de 80 pessoas. A aderência foi incrível e falámos com uma senhora holandesa, muito simpática, que mora na Brava à 4 anos e nos deu alojamento no fim-de-semana, e ela ficou de organizar já a partir do próximo mês sessões de cinema mensais, com filmes que lhe deixámos.
            
No próximo fim-de-semana irá decorrer, em princípio, o concurso "Brava Talentos". O objetivo do concurso é estimular o aparecimento de novos talentos nos domínios cultural e artístico, e apresentá-los à ilha. Queremos dinamizar a ilha, fomentar o gosto pelas atividades culturais e contribuir para a formação de cidadãos criativos e interventivos. As inscrições acabam hoje e temos 15 inscritos. Para garantir o prémio de 50 euros, necessitamos de 20 inscrições, que paguem o mesmo. Já gastámos muito dinheiro e tempo na divulgação do mesmo e por isso, estamos a tentar arranjar patrocínios que nos ajudem a pagar o valor do prémio, no caso de não chegarmos às 20 inscrições. Como as eleições aqui na Brava foram ontem e como já tínhamos falado com uma senhora de um dos partidos, que nos garantiu esse valor, vamos ver se sempre está interessada em patrocinar o concurso. Estamos a investir muito nisto por isso vamos fazer os possíveis e impossíveis para conseguir ir com o concurso para a frente. Caso consigamos, iremos também falar na rádio local para convidar todas as pessoas na ilha a assistir.

Por agora é tudo! Quando terminarmos o nosso trabalho por cá daremos mais informações!

Para seguirem e apoiarem este Projeto acedam a:



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Projecto Social no Cambodja com o apoio da MultiWay

Healthcare in Cambodia,

A Inês Pinto e a Joana Pereira elaboraram um dos projectos vencedores do concurso ImpACTO 2016, promovido pela Associação Gap Year Portugal. Os vencedores teriam direito a apoios financeiros por parte de uma lista de empresas, denominada "Social Angels", das quais a MultiWay fez parte.

O projecto já decorre e a Inês e a Joana já se encontram no terreno a trabalhar. E são estas as primeiras palavras que nos escrevem:


Boa tarde caríssimos Social Angels,

Antes de mais, queríamos pedir imensa desculpa por darmos notícias tão tardias mas as últimas semanas das nossas vidas têm sido um turbilhão, daqueles que valem muito a pena.


Durante todo o percurso do nosso projeto temos sentido muitas coisas diferentes, incluindo algumas dificuldades mas até ao momento temos muitas vitórias para compartilhar.
Fomos muito bem recebidas aqui em Siem Reap e, embora não tenha sido fácil conquistar a confiança das pessoas, neste momento estamos felizes por dizer que nos sentimos como se estivéssemos em casa!

Temos cada vez mais pessoas a assistir às nossas aulas, cada vez mais pessoas a utilizar aquilo que aprendem connosco e cada vez mais pessoas a pedir a nossa ajuda no que diz respeito a cuidados médicos.

Após uma semana de trabalho apercebemo-nos que a situação no que diz respeito a conhecimentos sobre cuidados básicos de saúde estava ainda pior do que aquilo que estávamos à espera e, por isso, decidimos alterar um pouco o nosso plano, como aumentar o número de visitas às aldeias e o tempo que despendemos a formar o staff das associações. 


No que diz respeito às aulas, uma outra associação, que acolhe cerca de 40 crianças, pediu a nossa ajuda e por isso decidimos estender o número de aulas por semana, para que possamos também trabalhar com eles. E, visto que eles irão mudar de casa nos próximos tempos, cada um dos miúdos vai ter a sua própria rede mosquiteira. 

As aulas com o staff estão a correr igualmente muito bem, eles têm-se mostrado muitos interessados e empenhados em aprender. Além disso, uma das enfermeiras que já não está na área há alguns anos e por isso está a ter formação connosco irá, num futuro próximo, criar a sua própria ONG para prestar cuidados médicos nas mesmas aldeias com que estamos a trabalhar, o que nos deixa muito orgulhosas e realizadas.

Outra das novidades é que fomos contactadas por uma pessoa que, ao tomar conhecimento do nosso projeto se apercebeu de tudo o que ainda há por fazer aqui, se mostrou interessada em ajudar e irá contribuir para que este projeto cresça ainda mais, junto da população de Siem Reap.

Tivemos algumas dificuldades no nosso contacto com a cruz vermelha, sendo que, por motivos internos, só nos responderam ao último e-mail quando já estávamos em Siem Reap. Desta forma foi-nos impossível trazer todo o material que tínhamos, incluindo os livros, mas a nossa prioridade quando regressarmos a Portugal será enviar os livros e o restante material para cá e já encontramos pessoas para os distribuir de forma a cumprirem o seu objetivo e serem úteis para a população, que já se encontra muito mais alerta para a sua saúde.

Como já estávamos à espera, a diferença na língua e cultura do país tem sido uma das nossas principais barreiras. No entanto, depois deste tempo cá, estamos orgulhosas de partilhar que já conseguimos comunicar o essencial! E quando não o conseguimos fazer, temos o staff que nos acompanha sempre que é uma preciosa ajuda nessa tarefa. 



A medicina tradicional tem sido, sem dúvida, uma mais valia por aqui. Foi esta a maneira que encontramos de conseguir conjugar a cultura e as condições económicas da população, com os cuidados de saúde e temos tido óptimos resultados já que a adesão aos tratamentos é cada vez maior. É por aqui é muito importante que isto se verifique já que temos detetado uma grande incidência de doenças contagiosas.

A nossa ideia para a plataforma de telemedicina já está a ser testada. No entanto, e para já, temos sido nós a comunicar com alguns médicos nossos colegas, mas tem sido uma ajuda enorme e uma mais-valia nos casos mais complicados que nos vão aparecendo.

De todos os casos que vimos aqui, há dois que nos marcaram bastante e que gostávamos de partilhar convosco.
Na nossa segunda semana cá, numa das visitas às aldeias, encontrámos um menino de 7 anos com uma infecção fúngica no couro cabeludo que se estendia há mais de 8 meses. A mãe disse-nos que já tinha levado o filho ao hospital mas nada tinha sido feito para travar o progresso da doença e o menino apresentava-se muito prostrado e em grande sofrimento. 
Recorremos ao contacto com os médicos em Portugal para confirmar o que podia ser feito, tivemos de procurar em quase todas as farmácias para encontrar os medicamentos adequados e hoje o menino está óptimo! O tratamento resultou! Brinca, salta, corre e faz questão de ir ter connosco cada vez que visitamos a aldeia dele, extremamente feliz porque o conseguimos ajudar!



O outro caso é muito mais complicado. Pediram-nos, esta última terça-feira, para ir a uma vila a cerca de 30 minutos do centro de Siem Reap para ver um homem de 30 anos que tinha tido um acidente de mota quatro dias antes. Após o acidente, ele deslocou-se a um hospital daqui, onde lhe fizeram uma sutura no pé que estava em muito mau estado. Mas a ferida nem sequer foi limpa, os pontos foram muito mal dados e não foi realizado qualquer tipo de curativo. Passados quatro dias, o pé estava com uma feridas abertas, com um edema acentuado e com a pele extremamente danificada. Após falarmos com um médico em Portugal, foi-nos dito que a única coisa que podia ser feita neste ponto era limpeza do pé e curativos todos os dias e esperar que o pé não tivesse de ser amputado. Isto porque o senhor vive em péssimas condições, o que aumenta exponencialmente a hipótese de infecções.
Neste momento, quatro dias depois do primeiro curativo, a recuperação começa a ser notória, temos conseguido evitar uma infecção e drenar bem as feridas e por isso estamos cheias de esperança que tudo irá correr pelo melhor. 
A nossa intenção é levar a enfermeira que tem tido formação connosco para que ela possa aprender o que deve ser feito, já que um caso destes exige um tempo prolongado de atuação e poderá eventualmente ultrapassar a nossa estadia aqui. 

Temos feito publicações na nossa página do facebook - Healthcare in Cambodia-, não com tantas fotos e vídeos como gostaríamos, mas tentamos manter sempre a privacidade das pessoas com quem trabalhamos, principalmente das crianças, sendo que na maior parte das associações é proibido tirar fotos e em alguns momentos abrem-nos excepções.
De uma forma geral temos tido uma grande adesão em todas as atividades e estamos, neste momento, a conseguir causar impacto na vida de cerca de 1300 pessoas!


Pedimos imensa desculpa por nos termos alongado tanto mas queríamos que ficassem a conhecer detalhadamente o que tem sido o Healthcare in Cambodia.

Queremos, mais uma vez, agradecer todo o vosso apoio e a confiança que depositaram em nós. Estamos disponíveis para qualquer tipo de esclarecimento que necessitem é muito agradecidas por esta oportunidade fantástica!

Atenciosamente,
Inês Pinto e Joana Pereira 

Healthcare in Cambodia

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Curso de Inglês para Adultos em Bournemouth (testemunho)

A Dra. Paula Piscarreta, vencedora do Concurso APPI-MultiWay de 2016 cujo prémio foi um curso de Inglês em Bournemouth na Escola Anglo-Continental, relata-nos agora em primeira mão as experiências vividas durante a sua estadia:

“O tempo tem estado a passar muito depressa. Os dias têm sido preenchidos com os afazeres típicos de um estudante estrangeiro - aulas, alguns TPCs, e algumas saídas.
Tem estado a ser uma experiência fantástica por todas as razões: a oportunidade de estar a 100% entre ingleses e poder contactar diariamente com a sua realidade local; poder comunicar com ingleses nos mais diversos contextos do dia a dia (escola, casa, rua, supermercado); ter a oportunidade de visitar locais há muito por conhecer, nomeadamente Londres.
Ontem, sábado, fiz uma visita a Londres. Perante a grandeza e a vastidão, foi uma visita pequena. Mas valeu a pena pelo impacto do espaço, da sua organização, da sua originalidade e da sua beleza sobre uma visitante que se sentiu realmente a navegar noutros mares.
Tenho apreciado muito as particularidades arquitetónicas de Bournemouth, nomeadamente a beleza dos espaços residenciais.
Mais uma vez agradeço a oportunidade proporcionada de enriquecer a minha experiência e o meu conhecimento.”


Paula Piscarreta






quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Projeto Social em Cabo Verde com o patrocínio da MultiWay

A Diana e o Romeu, são estudantes de teatro e música e os criadores do Projeto Laboratórios Creativ: vencedor do concurso ImpACTO 2016, promovido pela Gap Year Portugal e também com o patrocínio da MultiWay, e que tem como objetivo levar a arte e a cultura à comunidade Bravense (em Cabo Verde), nomeadamente a crianças e jovens que ainda não tiveram a oportunidade de explorar os seus potenciais e a idosos que na maior parte das vezes não tiveram incutidas nas suas vidas as artes e a cultura.

Fica aqui um pequeno balanço/testemunho das últimas semanas que estes dois jovens têm vivido junto das comunidades da Ilha Brava em Cabo Verde:

“…Temos tido alguns desafios pela frente, muitos dos quais até acabaram por enriquecer a nossa experiência. Apesar de todos serem super simpáticos e de os Bravenses serem pessoas muito afáveis, que se disponibilizam para ajudar em qualquer coisa (desde emprestarem-nos utensílios e aparelhos domésticos, convidarem-nos para comer com a família, mostram-nos a ilha, etc etc), sentimos que no geral existe alguma falta de responsabilidade nos compromissos que são feitos (obviamente que nem todas as pessoas são assim), o que por vezes dificulta o avanço do projeto. Um outro problema que encontrámos foi o da falta de pontualidade, em adultos e crianças. Nas primeiras vezes que trabalhámos com as crianças elas chegavam uma hora depois do acordado. No entanto, neste momento, arranjámos estratégias para os fazer ser pontuais e a maior parte deles já chegam 15 min antes da hora.

Uma outra pequenina dificuldade que temos tido tem a ver com a língua falada. Embora percebamos mais ou menos o crioulo, o desta ilha é bem mais difícil. As crianças falam maioritariamente crioulo, embora aprendam português na escola. Por essa razão, por vezes, no início demorávamos um pouco a perceber-nos mutuamente. Uma outra coisa que nos intrigou foi o facto de nos apercebermos que muito pouca gente quer fazer realmente alguma coisa pela ilha onde vivem. Grande parte das pessoas espera o visto para a América, outros são retornados da América e isso é um pouco triste. Ainda vivem o sonho americano.

Uma outra questão, de alguma preocupação, mas que, afetou pouco o trabalho que estamos a desenvolver, foi o facto de duas semanas atrás terem existido muitos micro-sismos em muito pouco tempo. Isso colocou a ilha em alerta laranja, com risco de erupção. Algumas zonas da ilha foram evacuadas e as pessoas foram trazidas para ficar a dormir nas escolas de Nova Sintra. Por essa razão, os laboratórios foram interrompidos por um dia, sendo que no outro levámos as nossas crianças e as que foram evacuadas para o estádio municipal, onde desenvolvemos atividades desportivas com eles, principalmente para os abstrair de toda a situação que estava a acontecer. Uma vez que a ilha tem muito poucos recursos, chamaram a proteção civil e alguns especialistas da Praia que estiveram a semana passada a viver na mesma casa que nós e analisaram toda a situação. Os evacuados já regressaram às suas casas e para já tudo parece normal - e os próprios geólogos disseram-nos que, em princípio o perigo já passou.

Relativamente ao projeto em si, tal como ficou definido, temos trabalhado com as crianças todos os dias. Em Portugal estamos habituados a trabalhar com miúdos mais irrequietos, e o facto de eles aqui serem muito mais "fechados" foi algo que nos surpreendeu. No entanto, isso valoriza ainda mais o trabalho que aqui viemos fazer, uma vez que assim sendo, eles necessitam ainda mais do teatro e da música para os ajudar a desenvolver capacidades que lhes permitam ser mais ativos e sociais.

Já tivemos o prazer de conhecer os idosos com quem vamos trabalhar, que são os idosos apoiados pela Cruz Vermelha. São maioritariamente doentes físicos (alguns mentais) e idosos retornados. Ao contrário das crianças no início, são quase todos muito animados e ansiosos por começar a aprender e trabalhar algo de novo, pelo que estamos ansiosos para começar o trabalho com eles. Com os idosos a questão da língua intensifica-se, uma vez que estes só falam mesmo um crioulo muito serrado. No entanto, como estamos a trabalhar com a Cruz Vermelha, temos uma senhora que nos vai acompanhar todo o tempo e ajudar na tradução.”

Para seguirem e apoiarem este Projeto acedam a:


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Golpe militar na Turquia

A tentativa de golpe militar que ocorreu esta noite na Turquia trouxe-me à memória um outro golpe, dessa vez bem-sucedido, que ocorreu em Setembro de 1980.

Tinha chegado a Istanbul na véspera e, como era meu hábito, ficara instalado no simpático Hotel Kennedy, um hotel que tinha várias vantagens: ficava mesmo ao pé de Taksim, a principal praça de Istanbul, era muito em conta e os quartos do último andar tinha terraços com ótima vista sobre o Bósforo.

Da varanda do Hotel Kennedy (Istanbul)

Um pequeno á parte: ontem à noite, enquanto que seguia o noticiário da Euronews um comentador português referiu a ponte sobre o “rio Bósforo”!!!!! Francamente. Há que ter o mínimo de cultura geral, ainda por cima porque estava a referir-se à ponte que liga dois continentes.

Voltando à minha história. Saí do hotel na manhã seguinte e notei que havia algo de estranho no ar. Rapidamente percebi do que se tratava quando cheguei a Taksim e vi a praça cheia de tanques e de soldados. No entanto, apesar do ambiente militar as pessoas circulavam e faziam a sua vida normal. Decidi fazer o mesmo mas, devo confessar, era a primeira vez que me encontrava num local onde decorria um golpe militar.

Praça Taksim com carros blindados (Istanbul)

Fiz a minha vida normal, visitei os meus amigos e fui aos locais onde já tencionava ir. Havia várias versões sobre o que se estava a passar, mas não havia pânico. No entanto, foi uma experiência diferente. Os soldados de vez em quando mandavam-nos parar ou então não nos deixavam ir para certos locais.

Entrada da Universidade de Istanbul

Uma vez estava calmamente a almoçar num restaurante onde ia bastantes vezes e entraram vários soldados armados que mandaram toda a gente levantar-se e encostar-se às paredes. Como passo facilmente por turco, nem pensei em dizer nada, levantei-me e fiz o mesmo. Revistaram-nos e depois foram-se embora.

Mesquita Sultan Ahmet (Istanbul)

De outra vez a minha amiga Nural tinha-me vindo buscar para ir à casa dela no lado asiático. Estávamos a atravessar a ponte, essa mesmo que mostraram na televisão e que é tão parecida com a nossa ponte 25 de Abril, quando os soldados mandaram parar o carro. A Nural saiu com o seu ar impassível, olhou-os bem de frente e disse algo que eu não entendi. Imediatamente fizeram imensas vénias, pediram desculpa e mandaram-nos seguir. O pai dela era alguém bastante importante no país e ela deve ter feito referência ao facto.

E foi assim que passei aqueles dias em Istambul, sempre rodeado de militares e de restrições mas sem qualquer verdadeiro incómodo. Como tinha apenas ido lá para rever alguns amigos antes de seguir para outro local o acontecimento não me alterou grandemente os planos e fiquei com mais uma história para contar.

Entrada do Palácio Dolmabahçe (Istanbul)


Domador de ursos (Istanbul)